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Sobre a animação de idosos

Ver também Apresentações, Caderno Socialgest nº 4, curso e-learning e comprar o livro "Animação de idosos".

Com a progressiva diminuição das suas capacidades físicas o idoso vai alterando os seus hábitos e rotinas diárias, substituindo-as por actividades que lhe exijam um menor grau de actividade. Esta diminuição da actividade, ou mesmo inactividade, pode acarretar várias consequências, como redução da capacidade de concentração e reacção, diminuição da auto-estima, apatia, desmotivação, solidão e isolamento social. Estudos recentes[1] demonstraram que realizar actividades intelectualmente estimulantes reduzem em 47% a possibilidade dos idosos desenvolverem a doença de Alzheimer.

Definimos a animação de idosos como a maneira de actuar em todos os campos do desenvolvimento da qualidade de vida dos mais velhos, sendo um estímulo permanente da vida mental, física e afectiva da pessoa idosa

A animação destinada a idosos deve ter como objectivo ajudar o idoso a encarar o seu envelhecimento como um processo natural, de forma positiva e adequada, e a reconhecer a necessidade da manutenção das actividades físicas e mentais após os 65 anos.

Podemos dividir a animação em sete partes:

1.      - Animação física ou motora

2.      - Animação cognitiva (Ver exemplo)

3.      - Animação através da expressão plástica

4.      - Animação através da comunicação

5.      - Animação associada ao desenvolvimento pessoal e social

6.      - Animação comunitária

7.      - Animação lúdica.

Tendo em conta os aspectos anteriormente referidos podemos alegar que uma boa animação deve dar resposta a diversos objectivos, visando:

·         Promover a inovação e novas descobertas;

·         Valorizar a formação ao longo da vida;

·         Proporcionar uma vida mais harmoniosa, atractiva e dinâmica com a participação e envolvimento do idoso;

·         Incrementar a ocupação adequada do tempo livre para evitar que o tempo de ócio seja alienante, passivo e despersonalizador.

·         Rentabilizar os serviços e recursos comunitários para melhorar a qualidade de vida do idoso

·         Valorizar as capacidades, competências, saberes e cultura do idoso, aumentando a sua auto-estima e autoconfiança.

 

A grande maioria dos idosos (85%) não estão institucionalizados e é preciso desenvolver estratégias para chegar a este público, como são as Universidades Seniores, os parques seniores, o trabalho como voluntários, a animação das comunidades, as praticas intergeracionais, etc.

Para a minoria dos idosos que estão em Lares, a sua vida é bastante pobre no que respeita a acontecimentos de vida, pelo que uma das funções do animador ou das ajudantes de lar passa pela elaboração e realização de programas de intervenção com o objectivo de melhorar a qualidade de vida dos idosos institucionalizados, assim como a direcção da instituição deve ter estratégias para assegurar a participação do utente na gestão da instituição, como escolha da ementa, escolha da funcionária que lhes dá banho, horário das visitas, etc.

         Num estudo feito em 4 lares idosos, dois com animação (A e B) e dois sem animação (C e D) os resultados indicam que a maior dos utentes sente-se desocupado. “perante este formulário 36,5% dos idosos de A e B afirmam passar muito tempo desocupados dentro da instituição, todavia 21% refere que algum do seu tempo é ocupado com actividades desenvolvidas pela animadora. Nas instituições C e D 46,2% dos idosos afirma também passar muito tempo desocupado, ocupando assim os seus tempos livres a ver televisão (30%).

Ao nível da animação social para idosos institucionalizados, podem ser desenvolvidos diversos tipos de actividades, como por exemplo exercício físico ligeiro, sessões de leitura de contos e poemas, visionamento de filmes, sessões de discussão de temas propostos, actividades de trabalhos manuais como corte e colagem, bordados, rendas e tapeçaria, ajuda na cozinha, passeios, visitas a museus, idas ao teatro, passeios ao ar livre, etc. Algumas destas actividades, juntamente com massagens, podem e devem ser desenvolvidas em idosos acamados.  Convém nunca esquecer a papel que a afectividade tem na vida das pessoas.

Esta não é uma tarefa fácil mas, por exemplo, pode ser elaborado um "Jornal da Instituição", com histórias, poemas, frases, ditados populares, anedotas e receitas, recolhidas junto dos idosos, acamados ou não. O jornal pode também ter um espaço destinado a uma breve apresentação de novos utentes das Instituição, datas de aniversário, calendário das actividades a desenvolver, sugestões, enfim…

Antes da passagem à prática das diversas actividades acima descritas, ou outras que se revelem adequadas à situação, é fundamental que seja realizada uma avaliação psicológica e física de cada um dos indivíduos, no sentido de perceber quais as capacidades reais de cada idoso relativamente a cada uma das actividades propostas.

Na animação com idosos, na minha opinião convém seguir as seguintes regras:

·       Perguntar-lhes o que gostam de fazer e o que querem fazer

·       Não desistir de trabalhar com eles mas ao mesmo tempo não insistir demasiado

·       Tentar realizar as actividades no mesmo horário no mesmo dia, não alterando muito as rotinas

·       Muitos dos jogos para crianças e jovens podem ser adaptados aos idosos

·       Ser paciente e alegre

 

Por Luis Jacob

 

 



[1] Estudo realizado entre 1994 e 2001 a 801 idosos, divididos em 40 grupos, nos EUA. (RADCC)  Publicado no American Medical Journal de Fevereiro de 2002.

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